Chamada Pública - Dossiê "Políticas, Concepções e Práticas de currículo, formação e avaliação"

O dossiê, focado em políticas da educação e em concepções de currículo, formação e avaliação, bem como em práticas que as concretizam, assume a existência de relações de influência quer entre as políticas públicas e os modos como o currículo, a formação e a avaliação são concretizados nos cotidianos escolares, quer dessas práxis nas políticas, compreendidas enquanto ação. Este entendimento teórico implica novos procedimentos metodológicos e novos focos de pesquisa que os artigos que compõem este dossiê contêm. Como foi referido por Mainardes em entrevista a Stephen Ball, “o avanço das pesquisas em políticas educacionais passa pela disposição dos pesquisadores em […] fazer perguntas diferentes e também procurar em lugares diferentes por respostas a essas perguntas (BALL, 2014, p. 221)” (MAINARDES, 2015, p. 271). Quanto à concepção de currículo, e reconhecendo-o enquanto território de disputas (ARROYO, 2013), ele é entendido enquanto plano mas também enquanto ação. Neste sentido, as práticas curriculares que o concretizam nos cotidianos escolares mobilizam o poder de agência dos professores (BIESTA, PRIESTLEY & ROBINSON, 2015; SANTOS & LEITE, 2018) e dos alunos que o vivem, isto é, os professores assumem-se como decisores e construtores do currículo (LEITE & FERNANDES, 2010) e não como meros consumidores do que é prescrito pelas políticas públicas. É tendo esta orientação por base que “vemos o currículo não como um conceito, mas como um conjunto de práticas entrecruzadas, desenvolvidas por sujeitos que ao mesmo tempo em que produzem e discursam sobre o currículo são também formados por ele”. (SILVA & ALMEIDA, 2013, pp. 105-106).

Como se depreende do até agora exposto, a formação, e centrando-nos na formação docente, está associada ao conceito de desenvolvimento profissional e é influenciada pelas vivências organizacionais e pelos climas de aprendizagem, nomeadamente aqueles que proporcionam a partilha e o trabalho cooperativo de distintos agentes educativos em interação com os contextos reais. Por isso, se justifica que as instituições de ensino superior e a investigação acadêmica valorizem a produção de conhecimento sobre formação. Esta é também uma das razões pelas quais esta temática constitui um dos focos deste dossiê. Finalmente, e no que à avaliação diz respeito, reconhecendo que nas políticas públicas ela é cada vez mais associada à qualidade, impõe-se trazer ao debate acadêmico essa relação e clarificar o que implica compreender e praticar uma avaliação que seja promotora de uma qualidade social, isto é, que seja capaz de romper com a sua limitação aos atos de classificação para se ampliar à aprendizagem e à formação. Nesta concepção, seguimos Wiliam (2009) e Earl & Katz (2006) quando distinguem a avaliação da aprendizagem, de avaliação para a aprendizagem ou mesmo como aprendizagem.

 

Os artigos do dossiê seguirão os critérios formais da Revista Debates em Educação (disponíveis no endereço http://www.seer.ufal.br/index.php/debateseducacao) e devem ser encaminhados na plataforma SEER até o dia 15 de abril de 2020, com previsão de publicação em novembro de 2020.