Chamada Pública - Dossiê: Complexidade e transdisciplinaridade no século XXI

A epistemologia da complexidade e sua prática transdisciplinar não se coloca tão somente no campo educativo, mas se faz essencial nas diversas áreas do conhecimento, de modo a enfrentar os desafios, cada vez mais intensos, dos novos tempos. Um pensamento complexo é desprovido de verdades absolutas e considera a diversidade e a pluralidade de ideias, crenças e percepções. É um tipo de pensamento que tem potencial de transformação, ao atualizar ideias, questionar certezas, religar saberes, inovar práticas, revisitar paradigmas.

Uma proposta de tal dossiê especial na Revista Debates em Educação vai ao encontro de seus anseios, missão, foco, escopo e perspectiva de difundir o conhecimento, socializar a pesquisa científica, apostar na instauração de uma nova política de civilização para a humanidade, por meio do acesso à democracia cognitiva e a ampla construção do conhecimento emancipador. Trata-se também de fazer cumprir o objetivo primordial da Revista, de “proporcionar um espaço rico de debates entre pesquisadores e a comunidade, contemplando a pluralidade de pensamentos, temáticas, metodologias e estilos presentes no cenário educacional atual”. E é dessa pluralidade de ideias e práticas que Complexidade e Transdisciplinaridade se nutrem.

A complexidade promove uma educação cidadã porque favorece a reflexão do cotidiano, problematização, autoanálise e autocrítica, ecologização de atitudes, transformação social. Uma ética de solidariedade, presente na complexidade, coloca-se na educação por meio da religação dos saberes e do rompimento com pensamentos únicos ou reducionistas, questiona a fragmentação e as insuficiências das especializações como soluções unívocas.

Desse modo, em meio a sociedades, cada vez mais complexas, pretendemos ainda com esse dossiê, celebrar, em 2020, duas décadas da publicação da obra “Os sete saberes necessários à educação do futuro”, de Edgar Morin, que foi solicitada pela Unesco, a fim de se pensar a educação desse milênio. Os sete saberes não é apenas um importante livro traduzido em mais de 20 línguas, mas, constitui-se em um marco de referencia mundial às práticas educacionais e aos sistemas educativos, seja em âmbito da educação formal, informal ou não formal, seja no campo ou nas cidades, seja na educação básica ou no ensino superior, nos aparelhos públicos ou privados.

Os sete saberes propostos por Morin são: as cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão; os princípios do conhecimento pertinente; ensinar a condição humana; ensinar a identidade terrena; enfrentar as incertezas; ensinar a compreensão; a ética do gênero humano”. Não são conteúdos disciplinares, mas, problemas essenciais, muitas vezes desconsiderados pela escola, saberes que consideram a subjetividade humana e, que são relevantes à conjugação de cultura científica e cultura humanística.

Entendemos que essa perspectiva polissêmica nos permite melhor enfrentar os desafios da atualidade, compreender as transformações da história, do tempo e das culturas e incorporá-las ao contexto educacional, a partir da religação dos saberes. Como também, resistir à barbárie do obscurantismo cultural, econômico e político é tarefa de educadores, cientistas e cidadãos comprometidos com a formação de sujeitos planetários, responsáveis e mais felizes. Daí a proposição de um dossiê intitulado Complexidade e transdisciplinaridade no século XXI.

 

Os artigos do dossiê seguirão os critérios formais da Revista Debates em Educação (disponíveis no endereço http://www.seer.ufal.br/index.php/debateseducacao) e devem ser encaminhados na plataforma SEER até o dia 15 de abril de 2020.