ELETROCARDIOGRAFIA COMPUTADORIZADA EM JABUTIS (Chelonoidis carbonaria) ANESTESIADOS COM CETAMINA, MIDAZOLAN E PROPOFOL

Francyelly Monicke Bezerra de Moura, Thays Ribeiro Pacó, Mayara Oliveira Lucio de Souza, Leonardo Marinho de Oliveira, Erica Emerenciano Albuquerque, Eduardo Melo Nascimento, Anaemilia das Neves Diniz

Resumo


Introdução: O jabuti-piranga (Chelonoidis carbonaria) é um réptil pertencente à ordem dos Testudinos, família Testudinidae, gênero Chelonoidis, que tem metabolismo lento além de ter poucas informações sobre sua fisiologia. Pode ser encontrado em toda a América do Sul, ocupando uma grande extensão no território brasileiro. É um animal excessivamente explorado de forma ilegal tanto no comércio de animais de estimação, quanto na alimentação humana e utilização em rituais religiosos e indígenas. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) têm registrado seis criadores comerciais da espécie para diminuir a pressão sob a população selvagem, com o objetivo de comercializar tanto para uso como pet, quanto para consumo alternativo da proteína. Atualmente não há parâmetros eletrocardiográficos desse animal dificultando o seu acompanhamento em procedimentos clínicos cirúrgicos que precisem de contenção química. O objetivo dessa pesquisa foi relatar dados preliminares do padrão eletrocardiográfico de jabutis contidos quimicamente.Método: Foram realizadas eletrocardiografias em 6 jabutis hígidos, da espécie Chelonoidis carbonaria, anestesiados com cetamina, midazolan e propofol. Para obtenção dos traçados eletrocardiográficos os animais foram posicionados em decúbito ventral sobre uma superfície isolante. A velocidade usada para os registros foi de 25 mm por segundo, com calibração da voltagem de 1 centímetro para cada milivolt (1mV=1cm) e o aparelho utilizado foi o TEB, através do método computadorizado. Os animais foram submetidos à contenção química utilizando-se cloridrato de cetamina na dosagem de 2 mg/kg, associado ao midazolan na dosagem de 2 mg/kg e o propofol, na dosagem de 5 mg/kg, por via intramuscular. Observada a ação anestésica, foram iniciados os procedimentos para realização dos exames eletrocardiográficos. Em todos os exames realizados os traçados foram obtidos logo após o inicio do efeito dos anestésicos administrados, de 5 a 10 minutos após a aplicação da injeção IM. Os protocolos promoveram tempo hábil anestésico médio de 40 a 45 minutos em todas as avaliações, não havendo, portanto, necessidade de reaplicações das drogas durante os exames.Resultados: Dos parâmetros avaliados o que mais chamou a atenção foi a frequência cardíaca (FC) e intervalo PR. Corroborando com outros estudos a FC teve uma redução significativa (30 bpm) sendo maior nas fêmeas do que nos machos enquanto o intervalo PR aumentou provavelmente devido a efeitos dos fármacos utilizados para contenção. Outras espécies anteriormente avaliadas (tartarugas domésticas) apresentaram valores parecidos de frequência cardíaca e duração de ondas. Os valores encontrados diferem dos parâmetros para animais não anestesiados o que indica que os fármacos influenciam na função cardiovascular.Conclusão: Foi possível a realização do exame de eletrocardiografia computadorizada em jabutis com contenção química, sendo assim, os resultados aqui encontrados podem ser utilizados como dados preliminares do padrão de normalidade de eletrocardiografia nessa espécie.

Palavras-chave: Quelônios, Eletrocardiografia, Anestesia Dissociativa, Jabuti


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