LEVANTAMENTO DAS ALTERAÇÕES CLÍNICAS EM AVES PROVENIENTES DO TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES NO ESTADO DE SERGIPE

Elpídio Vicente dos Santos Júnior, Sofia Cerqueira Schettino, Aline Borba dos Santos, Elias Alberto Gutierrez Carnelossi, Juan Manuel Ruiz Esparza Aguilar, Victor Fernando Santana Lima

Resumo


Introdução: O biotráfico de animais silvestres trata-se de uma problemática difícil de ser sanada em nosso país, devido ao seu nível cultural nos diversos estados brasileiros. De acordo com uma análise efetuada pelo RENCTAS (Rede Nacional do Combate ao Tráfico de Animais Silvestres) no ano de 2001, as aves formam o grupo de espécies animais mais biotraficadas no Brasil, perdendo apenas para o tráfico de armas e drogas. Neste processo, muitas aves sofrem diversas afecções, sejam estas por estresse, dieta incorreta, traumatismos e no pior dos casos, a morte. Neste contexto, o presente trabalho visa levantamento das alterações clínicas em aves provenientes do tráfico de animais silvestres no estado de Sergipe. Métodos: Utilizou-se como fonte de dados, as fichas clínicas de registro de aves oriundas do tráfico atendidas no Serviço Ambulatorial/Enfermaria da quarta etapa da Fiscalização Preventiva Integrada no estado de Sergipe, no período de 07 a 16 de maio de 2018. Todos os dados clínicos contidos nos prontuários dos pacientes foram transportados para uma planilha do Microsoft Excel e analisados estatisticamente pelo software InStat Graphpad 2000. Resultados: No período do estudo deram entrada no setor ambulatorial 52 aves distribuidas em 23 espécies (Cacicus cela, Coereba flaveola, Columbina squammata, Cyanoloxia brissonii, Euphonia violacea, Eupsittula aurea, Icterus jamacaii, I. pyrrhopterus, Paroaria dominicana, Patagioenas cayennensis, Saltator similis, Sicalis flaveola, Schistochlamys ruficapillus, Sporophila albogularis, S. bouvreuil, S.lineola, S. nigricolis, Tangara sayaca, Thraupis palmarum, Turdus rufiventris, Tyto furcata, Volatina jacarina, Zenaida auriculata)  e uma espécie híbrida de S. nigricolis e S. lineola. Dentre as alterações clínicas observou-se: traumatismo (29%), animais apáticos (18%), caquexia (16%), automutilação de penas (14%); diarreia (5%), ectoparasitos (4%), fratura de rinatoteca (4%), cegueira (4%), opistótono (2%), secreção ocular (2%), neoplasias (1%) e deformações de unhas (1%). Conclusão: As principais alterações clínicas observadas em aves provenientes do tráfico em Sergipe foi o traumatismo, apatia, caquexia e baixo IMC e automutilação de penas, ambas alterações provocadas por erros do manejo e estresse ao qual esses animais são induzidos.

 

Palavras-chave: Biotráfico. Cativeiro. Estresse. Lesões.


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