OVOCENTESE COMO TRATAMENTO PARA DISTOCIA EM CORN SNAKE (Pantherophis guttatus) – RELATO DE CASO

Marcelo Almeida de Souza Jucá, Amanda de Carvalho Moreira, Fabiano Rocha Prazeres Júnior, Vanessa Silva Santana, Caroline Coelho Rocha, Zara Caroline Raquel de Oliveira

Resumo


Introdução: A corn snake (Pantherophis guttatus) é uma espécie de serpente nativa dos Estados Unidos e México, que vem tornando-se bastante atrativa no mercado pet devido aos diversos padrões de cores e marcações que apresentam. Casos de distocia são pouco relatados em répteis selvagens, além de apresentar uma baixa incidência em répteis de cativeiro. O quadro de distocia pode ser costatado após um intervalo de 48 horas sem resolução da ovoposição. O tratamento é estabelecido com base no tipo de distocia e grau de evolução do quadro do animal. Em casos de distocia simples pode-se optar pelo tratamento clínico, porém quando ocorre obstrução, a remoção cirúrgica é recomendada. O objetivo desse trabalho é relatar o procedimento de ovocentese realizado como tratamento para distocia em corn snake.Método: Foi encaminhada ao Hospital Veterinário da Universidade Federal Rural do Semi-Árido uma corn snake, pesando 576 g e com 5 anos de idade.  O tutor relatou que a serpente realizou postura de 21 ovos há aproximadamente 15 dias, sendo observado um aumento de tamanho na região cloacal durante esse período. O animal estava apático, recusando alimentação e permanecia em sua toca. Foi feita avaliação completa do animal, junto à solicitação de exames complementares de imagem. Por palpação, foi possível observar que o aumento de volume relatado era compatível com ovos. Na ultrassonografia foi possível identificar a presença de três estruturas, medindo aproximadamente (3,39cm x 1,98cm), com contornos regulares, conteúdo ecogênico e paredes hiperecóicas, ao longo da região do oviduto. A terapia de suporte foi realizada utilizando solução de ringer com lactato (10ml) e gluconato de cálcio (70mg/kg). Optou-se pelo tratamento conservativo, realizando-se a ovocentese através da parede abdominal. O procedimento foi guiado por imagem de ultrassonografia, realizando identificação das estruturas e posterior aspiração do conteúdo dos ovos com auxílio de uma seringa de 10ml. Em seguida, utilizou-se Lactulona® para realização de enema para lubrificação, facilitando a expulsão das cascas. Aproximadamente 10 horas após o procedimento, foi possível observar a expulsão da primeira casca de ovo. Resultados: De acordo com a literatura, a ação da ocitocina é eficaz para distocias em quelônios, contudo, ainda são escassos os estudos de sua ação em serpentes, sendo indicada outras formas para resolução do quadro. Diante disso, optou-se pela ovocentese, consistindo em um procedimento conservativo, evitando a intervenção cirúrgica. O tratamento estabelecido obteve sucesso total, visto que em menos de 12 horas já havia ocorrido a expulsão da primeira casca de ovo. O tutor relatou ainda, que o animal voltou a se comportar normalmente, alimentando-se 7 dias após o procedimento.Conclusão: Conclui-se que a retirada do ovo por ovocentese pode ser realizada através da cloaca ou através da parede abdominal por aspiração, consistindo em um tratamento eficaz e possibilitando assim um procedimento minimamente invasivo, visto que a remoção cirúrgica pode gerar um maior risco para o indivíduo.

 

Palavras-chave: Ultrassom. Serpentes. Répteis. Reprodução.

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