QUEIMADURA POR CHOQUE ELÉTRICO EM SAGUI-DE-TUFO-BRANCO (Callithrix jacchus, LINNAEUS, 1758) – RELATO DE CASO

Pablo Henrique Oliveira de Souza, Elisa Maria Pacheco Bispo, Joyce Filho Santana, Gabriel de Araújo Lobão, Manuel Benicio Oliveira Neto, Victor Fernando Santana Lima, Victor Brenno Pereira Santos

Resumo


Introdução: Os saguis-de-tufo-branco, Callithrix jacchus (Linnaeus, 1758), são primatas pertencentes a família Callithrichidae, de pequeno porte, endêmicos da região nordeste do Brasil. Nos últimos anos esta espécie vem sendo ameaçada pela destruição do seu habitat e tráfico de animais silvestres. Além disso, alguns grupos de primatas têm migrado  para os centros urbanos, estando estes animais suscetíveis a queimaduras por choques elétricos em postes de alta tensão, no qual as queimaduras mais graves podem levar o animal a um estado de choque e óbito, necessitendo de um tratamento veterinário urgente. Diante do exposto o objetivo deste trabalho é relatar o tratamento empregado em queimadura por choque elétrico em um sagui-de-tufo-branco (C.  jacchus).  Relato de caso: Foi atendido pelo grupo de estudos de animais selvagens da Universidade Federal de Sergipe, campus do Sertão, uma fêmea adulta de sagui-de-tufo-branco, pesando 320 gramas, com histórico de choque elétrico após tocar em fio de alta tensão de um poste elétrico.  Ao exame físico constatou-se dor ao toque, dificuldade de locomoção, paralisia do membro anterior esquerdo com  perda de dígitos, alopecia, além de áreas de queimadura com padrão de textura coreácea, flictenas, placas enegrecida, afetando epiderme e derme, além de parte da musculatura. Em seguida, realizou-se contenção física, para limpeza do ferimento com NaCL 0,9% e digluconato de clorexidina, e posterior aplicação de Cefalexina (20-30mg/kg/IM), Dipirona (25mg/kg/IM), Meloxicam (0,1-0,2/mg/kg/IM), pomada a base de Ureia, Penicilina e Diidroestreptomicina, e então realizou-se o curativo dos membros afetados. Como tratamento terapêutico domiciliar foi prescrito Cetoprofeno (1-5mg/kg/IM/ a cada 3 dias, por 15 dias), Dipirona (25mg/kg/VO/SID/ por 7 dias), além da troca do curativo a cada 48 horas, com posterior aplicação tópica da seiva de Aloe vera.  Resultados: Ao 30º dia de tratamento o animal apresentava comportamento ativo, tecido de granulação com cicatrização das quaimaduras em algums áreas e ausência de dor. Já no 60º dia foi constatato crescimento do pelo, e recuperação do movimento do membro posterior esquerdo, tendo como sequela apenas a perda da movimentação da mão esquerda. Ao 90º dia o animal foi encaminhado para um cativeiro conservacionista. Conclusões: Apesar das queimaduras poder ocasionar a morte de primatas, é importante enfatizar que as manobras realizadas pelo Médico Veterinário, atrelado a conduta terapêutica utilizada é de suma importância para se ter sucesso clínico.

 

Palavras-chave: emergência veterinária, traumas, primatas.


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