PODODERMATITE EM ELEFANTE-ASIÁTICO (Elephas maximus)

Leandro Silva Reis, Beatriz Maccari Silva, Matheus Vasconcellos, André Luis Mota Costa, Jacqueline Muniz Bisca, Emanuel Lucas Bezerra Rocha, Fabiano Rocha Prazeres Junior

Resumo


Introdução: Da ordem Proboscidae, os elefantes são os maiores animais terrestres. De acordo com a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, 2018), o elefante-asiático (Elephas maximus) está classificado como em perigo de extinção. Dentre as patologias mais relatadas em elefantes estão afecções podais, a pododermatite é um processo infeccioso na região plantar dos membros. O presente relato descreve essa enfermidade em um exemplar da espécie que é mantido sob cuidados humanos no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros em Sorocaba, São Paulo. Método: Um exemplar de elefante-asiático (Elephas maximus), fêmea, adulta, 56 anos, pesando aproximadamente três toneladas, apresentava claudicação dos membros pélvicos (MPs). Foi observado prostração e relutância em se alimentar. Ao avaliar o histórico da paciente foi notado que em anos anteriores já haviam sido relatados abcessos em MPs. Foi realizada uma inspeção da face plantar dos MPs e visualizadas placas espessas queratinizadas na sola com aspecto irregular e leve aumento de volume, sugestivo de pododermatite. Visto que a paciente é condicionada, foi instituído o tratamento, limpeza com água abundante, detergente neutro e esfregão, a fim de retirar toda matéria orgânica da superfície plantar dos membros. Com auxílio de uma rineta foi feito desbridamento da sola e retirada do tecido necrótico até poder ser visível o tecido sadio. Após, era passado unguento Friezol®, constituído de triclorfon e alcatrão vegetal. O procedimento era feito apenas em duas semanas e em um membro a cada dia. Durante três dias eram feitos pedilúvios com Biofor ®, na concentração de 10mL/L, utilizando 10L de água por membro, os membros eram deixados imersos na solução, em uma bacia, por cinco minutos cada. Resultados: Antes de ser instituído o tratamento deve-se levar em consideração medidas profiláticas e pontos de controle como rotina de lavagem diária, manutenção do escore corporal, exame frequente do pé e do recinto a fim de se retirar qualquer objeto que possa oferecer risco e porta de entrada a contaminação, casquecamento duas vezes ao ano, ofertar enriquecimento ambiental, evitar baixas temperaturas e super-alimentação evitando assim laminite, além de mantar o local seco e com bom saneamento. O tratamento com desbridamento realizado com rineta, pedilúvio a base de soluções antissépticas como o concentrado de iodophor e o unguento de triclorfon e alcatrão vegetal foram suficientes para eliminar uma infecção moderada, como a demonstrada pela paciente, uma vez que a mesma voltou a apoiar a pata no chão, a se alimentar normalmente e foi possível observar a melhora do aspecto clínico na sola dos pés da elefante. Vale ressaltar a importância do condicionamento para o tratamento, devido ao porte e possível comportamento agressivo, o condicionamento de elefantas é considerado de suma importância para um programa de medicina preventiva. Conclusão: Foi relatado um caso de pododermatite em elefante asiático mantido sob cuidados humanos. Por ter sido prontamente diagnosticada e tratada pela equipe de médicos-veterinários do Zoológico de Sorocaba, o prognóstico foi favorável, uma vez que o diagnótico tardio e/ou ineficácia do tratamento poderiam levar a complicações severas em sistema músculo-esquelético até mesmo levando ao óbito do animal.

Palavras-chave: Doença Podal, megavertebrabos, Elefante-Asiático.


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