Osteossíntese de úmero em Tucano-de-Bico-Verde (Ramphastos dicolorus)

Leandro Silva Reis, Beatriz Maccari Silva, Matheus Vasconcellos, André Luiz Mota da Costa, Jacqueline Muniz Bisca, Emanuel Lucas Bezerra Rocha, Vanessa Silva Santana

Resumo


Introdução: Pertencente à família Ramphastidae, o tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus) é uma ave que de acordo com a IUCN está classificado quanto a seu status de conservação como menos preocupante. Tendo sua distribuição desde a região sul do Brasil até o estado de Goiás. Dentre as patologias que mais acometem aves, fraturas estão entre as mais frequentes. O objetivo do presente trabalho é relatar um caso de osteossíntese de úmero em tucano-de-bico-verde de vida-livre. Método: No dia 10/10/2018 um espécime de tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus) foi levado ao Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros pelo Corpo de Bombeiros. Na inspeção pode-se notar que o membro torácico esquerdo estava caído e com hematoma extenso, suspeitando-se de possível fratura e/ou luxação. No exame radiográfico foi observado descontinuidade óssea em úmero direito, completa, oblíqua e fechada com artefato de radiopacidade metal, sugestivo de projétil balístico. Foi instituído como terapêutica, nebulização com solução fisiológica e enrofloxacino por sete dias; cetoprofeno 1mg/Kg IM SID por três dias; metronidazol 50mg/Kg VO BID por sete dias;tramal 6mg/Kg IM BID por cinco dias; ceftriaxona 75mg/Kg, SC BID por sete dias. No dia seguinte foi realizada a osteossíntese com uso de pino intramedular associado com imobilização em “8” junto ao corpo e remoção cirúrgica do projétil. Resultados: Tendo em vista as forças atuantes na fratura, a passagem do pino intramedular sem a associação de outros métodos de estabilização poderia ter um prognóstico reservado, a associação com a imobilização teve fundamental importância para evitar a força de rotação e ter assim um resultado mais satisfatório. O paciente teve uma recuperação rápida e o pino foi retirado 23 dias após o procedimento, sendo feito acompanhamento radiográfico semanalmente até então. Observou-se atrofia moderada em musculatura peitoral e em membro torácico, decorrente do uso da imobilização e por ficar em uma gaiola pequena afim de restringir movimento, o animal passará por um processo de reabilitação e fisioterapia para posterior soltura. Conclusão: O presente trabalho relatou um caso de osteossíntese de úmero em tucano-de-bico-verde. Levando em consideração ser um animal de vida-livre, o uso de uma técnica correta que não comprometa a aerodinâmica do voo é fundamental visando o processo de reintrodução e conservação das espécies.

Palavras-chave: fratura, aves, ortopedia 

 


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