OSTEORRADIONECROSE DOS MAXILARES: MÉTODOS PREVENTIVOS PARA REALIZAÇÃO DE TRATAMENTO ODONTOLÓGICO EM PACIENTES IRRADIADOS

Elenisa Glaucia Ferreira dos Santos, Yasmin Lima Nascimento, Marcus Vinicius Silva Weigel Gomes, Thiago da Silva Torres

Resumo


A osteorradionecrose (ORN) dos maxilares é uma complicação clínica passível de ocorrer em pacientes submetidos a tratamentos odontológicos invasivos, nos quais há contato direto com o osso alveolar, antes ou após a radioterapia para o câncer de cabeça e pescoço. Este estudo tem como objetivo descrever a fisiopatologia, os fatores de risco e os métodos preventivos da doença em pacientes que serão submetidos a procedimentos odontológicos. A radiação promove modificações que alteram o metabolismo ósseo e desregulam seu remodelamento, tornando o tecido marcadamente hipocelular e com tendência à necrose. A intensidade das doses de radiação é um importante fator de risco para estas alterações, sendo a radioterapia de intensidade modulada capaz de fornecer doses controladas, uma opção mais conservadora para prevenir as co-morbidades associadas a radiação. Dentre os fatores de risco intra-orais, a má-higienização oral contribui para o surgimento de doenças periodontais, abscessos dento-alveolares, lesões cariosas extensas, processos facilitadores de complicações por radiação, sendo orientado a proservação odontológica. Os procedimentos ambulatoriais de maior risco para desenvolver ORN são as extrações dentárias e instalação de implantes osseointegrados. A extrusão ortodôntica é uma alternativa terapêutica que diminui os riscos de ORN em casos justificáveis. A reabilitação oral com implantes osseointegrados em pacientes já submetidos à radioterapia será considerada em casos de doses de radiação inferiores a 50 Gy. Dentre as alternativas profiláticas, a combinação farmacêutica de pentoxifilina e tocoferol (vitamina E) vem sendo utilizada para reduzir os riscos, abrindo uma perspectiva a ser considerada previamente ao procedimento odontológico invasivo, bem como a oxigenoterapia hiperbárica, que estimula a angiogênese e cicatrização. Particularmente agressiva, a osteorradionecrose dos maxilares constitui um desafio devido à ausência de um tratamento efetivo, destacando a importância do conhecimento de medidas preventivas que possibilitam o manejo odontológico com redução dos riscos de desenvolvimento da doença.

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