ACHADOS ULTRASSONOGRÁFICOS DE RUPTURA INTESTINAL PÓS-TRAUMA EM FELINO

Driele Rosa de Souza, Andressa Dayanna Acácio Frade, Kelvis de Brito Freitas, Amabile Arruda Souza e Silva, José Ferreira da Silva Neto, João Batista Machado Alves Neto, Débora Monteiro Navarro Marques de Oliveira

Resumo


Introdução: A ocorrência de traumas em animais e suas consequentes complicações apresentam elevada casuística no atendimento veterinário de pequenos animais. Graves injúrias podem se desenvolver a partir de traumatismos contundentes tais como fraturas, e menos comumente a ruptura do trato intestinal, que pode desenvolver um quadro de peritonite e ocasionar o óbito do paciente. Os achados imaginológicos em casos de perfuração intestinal são inespecíficos, porém seus sinais indiretos são prontamente indentificados, como o mesentério hiperecoico e a presença de efusão abdominal perilesional. Objetivos: O presente trabalho tem por objetivo relatar o caso de ruptura intestinal pós-trauma em felino e seus achados de imagem. Relato de caso: Foi atendido no Hospital Veterinário da Universidade Federal da Paraíba – Campus II, Areia-PB, um felino, macho, sem raça definida, com idade não informada, pesando 3.8 kg. Na anamnese foi relatada a suspeita de que o animal havia sido agredido e que apresentava desconforto abdominal, secreção nasal escura, cansaço, apatia, inapetência, episódio de vômito e claudicação do membro pélvico esquerdo. Durante a realização do exame físico verificou-se que o animal apresentava hipertermia (40.4 ºC), mucosa ocular hipocorada, nistagmo lateral bilateral, aumento de volume em abdome direito e presença de hematoma extenso em região abdominal. O animal foi estabilizado e encaminhado para a realização de exame ultrassonográfico que revelou esplenomegalia, linfonodos mesentéricos reativos, aumento de ecogenicidade de mesentério, presença de pequena quantidade de liquido livre cavitário anecóico com pontos ecogênicos em região epigástrica, entre o baço e rim esquerdo, e estruturas hiperecóicas não formadoras de sombra acústica em região de subcutâneo, sugestivo de fibrina, recomendando-se então a avaliação laboratorial do liquido cavitário. Foi realizado também exame radiográfico da região torácica para investigação de possíveis fraturas, entretanto nenhum sinal de anormalidade foi detectado. O animal veio à óbito poucas horas após a realização dos exames imagiológicos. Na necropsia foi detectada ruptura de intestino delgado, que evoluiu para uma peritonite fibrinopurulenta acentuada, levando ao desenvolvimento de choque séptico e consequente morte do animal. Conclusão: O quadro de sepse em felinos é relacionado a altos índices de morbidade e mortalidade, devendo-se prestar maior atenção a essa espécie. Os exames de imagiologia são de grande apoio na elucidação diagnóstica, pois a partir de seus achados é possível direcionar para a realização de exame laboratorial e avaliação do liquido cavitário. O relato tem como propósito servir de alerta para a possibilidade de ruptura de alças intestinais em animais que sofreram um trauma, e que apresentam achados de imagem compatíveis com o do presente caso, demonstrando assim a importância do exame ultrassonográfico em detectar sinais sugestivos de peritonite a fim de se possibilitar o diagnóstico precoce e instituição imediata de conduta terapêutica adequada para cada caso.

Palavras-chave


Trauma. Peritonite. Ultrassonografia. Necropsia. Gato.

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