PRIMEIRO RELATO DE Acanthocheilonema reconditum EM CÃES DO AGRESTE E SERTÃO SERGIPANO

Victor Brenno Pereira Santos, Raiane Castor Varjão, Elisa Maria Pacheco Bispo, Nara Silva de Carvalho Delfino, Roseane Nunes de Santana Campos, Victor Fernando Santana Lima, Geyanna Dolores Lopes Nunes

Resumo


Introdução: Acanthocheilonema reconditum é um nematódeo filarídeo, transmitido aos cães através de pulgas ou piolhos malófagos infectados, no momento do repasto sanguíneo. A forma jovem, conhecida por microfilária, é encontrada na corrente sanguínea, já a forma adulta se localiza nos tecidos subcutâneo e perirrenal dos cães. A infecção por A. reconditum apresenta baixa patogenicidade, diferentemente de outra espécie de filarídeo comum em cães, a Dirofilaria immitis, pois a forma adulta desta localiza-se no ventrículo direito e artéria pulmonar do coração, provocando nos animais sinais clínicos respiratórios e circulatórios, que podem ocasionar a morte. O diagnóstico desses parasitos pode ser realizado através de diversas técnicas laboratoriais parasitológicas, imunológicas e/ou moleculares. Objetivo: Assim, o objetivo desse trabalho foi descrever o primeiro diagnóstico de A. reconditum em cães do agreste e sertão sergipano. Metodologia: Durante os atendimentos no ambulatório da UFS - Campus do Sertão foram coletadas amostras de sangue de cães, cerca 1 a 3 mL de cada animal, obtidas através das veias jugular, cefálica ou safena, armazenadas em tudo de ensaio com EDTA (ácido etilenodiamino tetra-acético), identificadas e refrigeradas. Para o diagnóstico, foi aplicada a técnica de Knott modificada, na qual foi feita a centrifugação a 4000 rpm do sangue junto com água destilada na proporção 1:10, por 10 minutos. Logo após, foi descartado o sobrenadante, acrescentando 9ml de água destilada e efetuado novamente a centrifugação. Esse processo foi feito repetidas vezes até que o sobrenadante apresentasse um aspecto límpido. Por fim, foi pipetado 25 microlitros do resultante e disposto em uma lâmina de vidro que, após secagem, foi corada pelo panótico rápido. A fim de aumentar a sensibilidade do teste, foram confeccionadas 3 lâminas para cada amostra de sangue e observadas em microscópio óptico, na lente objetiva de 10x e 40x. A diferenciação das espécies de filarídeos foi baseada na mensuração de comprimento e largura, bem como nos aspectos morfológicos da cauda e extremidade anterior. Resultados: Foram coletadas amostras de 75 cães, advindos das cidades sergipanas de Nossa Senhora de Aparecida, Nossa Senhora das Dores, Nossa Senhora da Glória, Ribeirópolis, Lagarto, Porto da Folha e Monte Alegre. Foram detectados 8% (6/75) de cães positivos, todos para microfilárias da espécie A. reconditum. A maioria dos animais foram advindos das cidades de Nossa Senhora da Glória ou de Nossa Senhora das Dores, por conseguinte, nelas foram identificados os animais positivos, onde: Nossa Senhora das Dores apresentou maior ocorrência com 19,2% (5/26) e Nossa Senhora da Glória apenas 2,5% (1/39). Além disso, nenhum dos animais positivos apresentaram sintomatologia relacionada ao parasito. Discussão: Existem poucos estudos sobre a ocorrência de filarídeos em cães de Sergipe, concentrando-se na capital Aracajú e região metropolitana. A detecção de A. reconditum em cães do sertão e agreste sergipano constitui um achado significativo que, embora não tenha grande importância como patógeno, deve ser diferenciado adequadamente da D. immitis, que pode ocasionar doença grave. Além disso, serve para alertar aos clínicos veterinários da região sobre a importância da realização dos exames laboratoriais para diagnóstico e da avaliação adequada por médicos veterinários capacitados.  Conclusão: O teste de Knott foi prático e útil para diagnosticar e identificar morfologicamente microfilárias em amostras de sangue de cães. É de suma importância diferenciar a espécie A. reconditum de outros filarídeos patogênicos.

Palavras-Chave Cão. Sangue. Diagnóstico. Microfilárias. Knott.


Palavras-chave


Cão. Sangue. Diagnóstico. Microfilárias. Knott.

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