TERAPÊUTICA CLÍNICA PARA COMPACTAÇÃO DE CÓLON MENOR DE EVOLUÇÃO TARDIA EM UM EQUINO

Lívia Danielly Virginio, Pierre Barnabé Escodro, Jarbiane gomes Oliveira, Ivana Ferro Carmo, juan vitor Santos, José Matheus Albuquerque, Amanda Caroline Graboschii

Resumo


Introdução: Apesar das compactações de cólon se apresentarem como causas frequentes de síndrome cólica em equinos, as localizadas no cólon menor são de baixa incidência, normalmente associadas aos corpos estranhos enovelados de fibras vegetais e enterólitos. Os sinais clínicos são de dor leve a moderada, congestão de mucosas e ausência de fezes na ampola retal com ou sem aumento evidente de volume abdominal. Os sinais vão piorando entre 48 a 72 horas, momento em que se pode optar para o tratamento cirúrgico, antes de ocorrer desvitalização de alças e choque endotoxêmico.  Buscou-se apresentar um caso de compactação de cólon menor com mais de 96 horas de evolução, que apresentou resolução clínica, sem necessidade de intervenção cirúrgica, utilizando a ozonioterapia intra-retal como diferencial no tratamento. Relato de caso: Paciente equino, raça Mangalarga Machador, garanhão, 360kg, 5 anos de idade foi recebido no Grupo de Pesquisa e Extensão de Equídeos da Universidade Federal de Alagoas (GRUPEQUI- AL), com sinais clínicos característicos de síndrome cólica. Na anamnese, o tratador relatou que o animal estava sem defecar, andando em círculos e rolando na baia de forma intermitente há três dias, sendo que já havia sido submetido ao tratamento com uso de flunixin meglumine na propriedade de forma diária, além de fluidoterapia intravenosa (sem informação de volume e tipo de cristalóide). Após exame clínico foi constatado que o animal apresentava abdome distendido, mucosas hipocoradas, desidratação e hipomotilidade. Na palpação transretal, ausência de fezes em ampola retal, além de compactação de cólon menor. A sondagem nasogástrica foi improdutiva sem refluxo ou conteúdo fermentado, apenas pouco conteúdo de verde ingerido entre crises de dor. A terapêutica imediata intravenosa instaurada foi Flunixin Meglumine (1,1mg/Kg), 8 L de soro ringer com lactato e 100 o ml de solução comercial a base de cálcio e magnésio (Calcifós®), 20 mL de solução antitóxica (Liverton) e enrofloxacina (5mg/kg). Também foi realizado ozonioterapia por via intra-retal no volume de 5 mL por kg na concentração de 19 mg/L e caminhadas com animal de 10 minutos a cada hora, durante 12 horas. Após cerca de 20 horas, foi realizada duas reaplicações de dipirona ( 10 mg/kg/IV) para controle de dor,  quando já se preparava o paciente para a cirurgia, na palpação conseguiu-se retirar fezes com muito enovelado vegetal, posteriormente ele apresentou defecação, mantendo-se a terapia de enrofloxacina e flunixin meglumine na dose anti-endotoxemica ( 0,25 mg/kg/TID) por mais 5 dias. Além disso, a ozonioterapia perduroru a cada 3 dias, por mais 4 aplicações. O Animal teve alta com 7 dias, sem qualquer complicação. No caso relatado, ao palpar o animal verificou-se um sólido tubo de ingesta na região anti-mesentérica, confirmando-se compactação de colón menor. Pouco antes da cirurgia, fez-se novamente a palpação retal, conseguindo-se retirar as fezes da ampola retal, bem como já eram evidentes as saculações do colón menor, sem presença de fezes. A ozonioterapia pode ter atuado como oxidante na ação de hipóxia e desvitalização de alças, mostrando caso de evolução clínica com mais de 96 horas sem necessidade de cirurgia.  Conclusão: A ozonioterpaia pode ser indicada como terapia integrativa em casos de compactação de cólon menor, buscando diminuir complicações circulatórias associadas a dilatação intestinal e estase pelos agentes etiopatogênicos da enfermidade.

 


Palavras-chave


Abdome Agudo. Ozonioterapia. Cólon Menor. Terapia Integrativa. Hipomotilidade.

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