DIAGNÓSTICO ULTRASSONOGRÁFICO DE FECALOMA SECUNDÁRIO A HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA EM CÃO – RELATO DE CASO

José Leonardo de Castro Alves, Nhatalia Carolliny Sampaio Lourenço da Silva, Heloysa Almeida Bezerra, Melissa de Souza Borges Mendonça, Vanderson Pontes Araujo Santos, Luedja Carla Vidal Monteiro Gomes, Anaemilia das Neves Diniz

Resumo


O fecaloma caracteriza-se pelo ressecamento das fezes que ficam compactadas e retidas no interior do intestino grosso, causando disquezia, tenesmo e constipação intestinal. Uma das etiologias para essa alteração em cães é o aumento prostático, com maior freqüência causado pela hiperplasia prostática benigna, que causa uma obstrução mecânica no terço final do intestino grosso e conseqüente retenção das fezes. A utilização da ultrassonografia para diagnostico inicial e conclusivo não é tão utilizada quanto o exame radiográfico, visto que as fezes ressecadas impedem a adequada passagem do som, o que acaba não permitindo a correta avaliação do cólon e outros órgãos abdominais, mas que se torna uma alternativa eficiente devido a sua acessibilidade e possibilidade de fornecer dados ausentes nos exames radiográficos em virtude do pouco contraste existente nos órgãos dessa região. O objetivo deste relato é apresentar as alterações ultrassonográficas constatadas em um canino com diagnóstico clínico de fecaloma sem resposta ao tratamento medicamentoso. Um cão, macho, acima de seis anos de idade, SRD, 13.250 Kg, foi atendido no dia 18/07/19 no Hospital Veterinário Universitário da Universidade Federal de Alagoas. Como queixa principal o tutor relatou ausência de defecação há quatro dias, ainda na anamnese informou que o cão sentia disquezia e tenesmo, inapetência, hipodipsia e urina bastante amarelada e com odor forte. No exame físico os parâmetros fisiológicos observados foram: temperatura de 38,5°C, frequência respiratória de 28 mpm e a frequência cardíaca de 104 bpm. O paciente apresentava apatia, desidratação moderada (em torno de 8%) e presença de grande quantidade de fezes nas alças intestinais verificadas à palpação do abdômen em região mesogástrica e hipogástrica. Realizou-se conduta terapêutica através de hidratação sistêmica, analgesia, antiemético, antifisético e lavagem retal na tentativa de promover a defecção, porém não houve êxito. Como exame complementar solicitou-se a ultrassonografia da região abdominal para chegar ao diagnóstico definitivo e encaminhar o paciente para a enterotomia. No exame ultrassonográfico visualizou-se as alças intestinais espessadas com 1,82cm sendo a camada muscular aumentada e com redução dos movimentos peristálticos caracterizando um processo crônico. Foi identificado conteúdo firme em terço final de intestino grosso que formava sombra acústica. O animal apresentou ainda esplenomegalia, presença de lama biliar e discreta cistite.  Ainda na avaliação ultrassonográfica foi diagnosticado hiperplasia prostática, o órgão media 3,19 por 2,68cm. Após o diagnostico o animal foi encaminhado para cirurgia para realização de enterotomia para retirada do fecaloma e orquiectomia para tratamento da hiperplasia prostática. Após 15 dias dos procedimentos cirúrgicos e com terapia realizada de forma correta, foi observado melhora clínica e recuperação progressiva do paciente. Dessa forma, podemos concluir que a utilização da ultrassonografia como método de imagem para diagnostico de fecaloma apesar de limitada foi eficaz e importante para o diagnóstico da patologia. O diagnóstico ultrassonográfico da hiperplasia prostática e a orquiectomia são essenciais para melhora do animal e evita a recidiva da retenção das fezes, sendo assim a ultrassonografia é importante para complementar as informações e definir a melhor conduta terapêutica e/ou cirúrgica.


Palavras-chave


Fecaloma. Ultrassonografia. Hiperplasia prostática.

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