AVALIAÇÃO DE PARASITOS GASTROINTESTINAIS EM ANIMAIS SILVESTRES MANTIDOS EM CATIVEIROS ILEGAIS NO SEMIÁRIDO DE SERGIPE

Matheus Resende OLIVEIRA, Gabriel Araújo LOBÃO, Abraão Santos ALVES, Victor Brenno Pereira SANTOS, Elpídio Vicente dos SANTOS JÚNIOR, Rafael Dantas dos SANTOS, Victor Fernando Santana LIMA

Resumo


Introdução: Dentre os diversos problemas sanitários que acometem os animais silvestres mantidos em cativeiro, as parasitoses gastrointestinais destacam-se na clínica médica de animais selvagens como um dos mais recorrentes, uma vez que, são responsáveis por diversas afecções como gastroenterites, perda de peso, queda de penas, infecções subclínicas e até a morte. Com a ascensão do comércio ilegal de animais silvestres, tem constituído um risco potencial a saúde pública, sobretudo, indo em desencontro com as práticas de sanidade e bem-estar animal dos animais mantidos em cativeiro. Objetivos: Descrever os principais parasitos gastrointestinais que acometem animais silvestres mantidos em cativeiros ilegais no semiárido sergipano. Método: No período de setembro de 2018 a maio de 2019 foram coletadas amostras fecais por defecação espontânea de 67 animais silvestres de diferentes grupos (aves n=48, répteis n=18 e mamífero n=1), atendidos no Setor de Animais Silvestres da Universidade Federal de Sergipe, campus do Sertão. Todas as amostras foram acondicionadas em tubos coletores contendo formol 10% e analisadas por meio da técnica de  Mini-FLOTAC®. Todos os dados foram organizados em planilhas do Microsoft Excel e analisados estatisticamente pelo software InStat (GraphPad Software, Inc., 2000) com nível de significância p<0,05. Resultados: Das 67 amostras analisadas 67,16% (45/67) foram positivas para cistos, oocistos, ovos e/ou larvas de parasitos gastrointestinais. Sendo 60,42%, 83,33% e 100% detectados em amostras de aves, répteis e mamífero, respectivamente. Nas aves foram identificados oocistos de coccídeos não-esporulados (80,65%) e Cryptosporidium sp. (3,23%), cistos de Entamoeba spp. (3,23%), além de ovos de Trichostrongylidae (6,45%) e Strongyloide sp. (3,23%). Nos répteis foi diagnóstico Ancylostoma (23,08%), coccídeos não-esporulados (19,23%), Entamoeba spp. (15,38%), Ancylostomatidae (7,69%), Stongyloide sp. (7,69%) e Acanthocephala, Ascaridia galli, Ascaris lumbricoides, Cryptosporidium sp., Meloidogyne sp.,  Strongilidae e Trichostrongylidae com (3,85%). A única amostra de mamífero apresentou positividade para os Nematodas: Ancylostoma sp. e Toxocara spp. Discussão:  As coccidioses tiveram uma maior prevalência nas aves, corroborando com o estudo de Marietto-Gonçalves et al. (2009) que destaca principalmente a ocorrência em passeriformes, assim como, nos répteis houve um alto índice de coccidioses, entretanto, menor que o número de Ancilostomídeos, sendo também relatado em Chelonoidis carbonaria por Silva et al. (2008). No mamífero os parasitos encontrados Toxocara e Ancylostoma  foram descritos em didelfídeos por Silva et al. (2017).  Conclusão: Os animais silvestres examinados estão sendo acometidos por diferentes helmintoses e protozooses, portanto, faz-se necessário a adoção de práticas sanitárias e a realização periódica de exames coproparasitológicos, para a garantia do direito à saúde.

Palavras-chave


Helmintos; Protozoários; Animais silvestres.

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Referências


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