USO DO PRÓPOLIS NO TRATAMENTO DE FERIDA TRAUMATICA DE ORIGEM DESCONHECIDA EM UM FELINO: RELATO DE CASO.

Juliana Nascimento Santos, Kiara Nascimento Chaves, Rebecca Ekklecia da Costa Oliveira, Manara Alves da Silva Leite

Resumo


Introdução: A utilização de medicamentos naturais tem ganhado grande espaço nas várias áreas relacionadas a saúde, principalmente no âmbito veterinário. Atualmente, a própolis é bastante estudada e utilizada nesse meio, sendo um importante produto natural, conhecida popularmente por seus efeitos cicatrizante e antisséptico, podendo ser capaz de conter até 300 substâncias. Objetivos: Relatar o tratamento de uma ferida de origem desconhecida em um felino, com o uso de própolis associado a medicação oral antibiótica e anti-inflamatória. Descrição do caso: Um felino, fêmea, sem raça definida, de pelagem branca, 4 kg, 5 anos, castrada, vacinação em dia, vermífugo desatualizado, sem ectoparasitas ou acesso à rua. O animal chegou com queixa de lesão em região de pescoço ventral, em topografia de traqueia, não sabendo o tutor informar como surgiu, relatando apenas que iniciou com um aumento de volume na região afetada, leve coloração avermelhada e elevação de temperatura ao toque. O animal foi levado até uma casa agropecuária, onde um prático administrou 0,5 ml de Dectomax® via subcutânea. Notou-se diminuição no tamanho da lesão e cerca de 4 dias depois, o paciente apresentou apatia, anorexia, febre de 40ºC, abertura da epiderme com expulsão de líquido avermelhado acompanhado de odor pútrido e áreas necrosadas. A lesão apresentava cerca de 6,5 cm, desse modo foi feito o debridamento cirúrgico das bordas, visando retirada de tecido necrosado para auxiliar na formação de tecido de granulação. Para a assepsia, empregou-se solução fisiológica com auxílio de gaze estéril e, posteriormente, aplicação de rifamicina spray. Logo em seguida, o animal apresentou sialorreia, optando-se, então, por substituição do spray por gotas de extrato de própolis verde (em solução alcoolizada) na ferida, notando melhora progressiva na cicatrização. Com 13 dias após estabelecimento do tratamento, o tutor fez uso autônomo de um segundo produto, sendo esse uma solução com associações de mel, própolis e menta por 9 dias. Foi descrito resposta de cicatrização mais lenta, sendo observado aumento nos linfonodos submandibulares. Diante disso, o tutor voltou a utilizar o extrato de própolis verde (em solução alcoolizada) seguindo com o tratamento até completa resolução da ferida. Instituiu-se também antibioticoterapia sistêmica a base de cefalexina suspensão, na dose de 20-50mg/kg, a cada 12 horas, por 15 dias e meloxicam injetável 0,2% na dose de 1ml/10kg, via subcutânea, a cada 24 horas, por 5 dias. Discussão: Pesquisas mostram que o uso da própolis em feridas diminui o tempo de cicatrização, acelera o processo de regeneração tissular e oferece recuperação dos tecidos lesionados por sua ação antimicrobiana e anti-inflamatória assim como evidenciado no presente relato. Autores ressaltam que a eficácia da cicatrização está intimamente ligada à concentração da própolis na solução, o que foi observado no resultado cicatricial após utilização de dois produtos com concentrações diferentes. Vários trabalhos relatam a atividade sinérgica da própolis associada a diversos antibióticos, podendo se tornar uma alternativa terapêutica para resistência microbiana, como foi instituído neste relato. Conclusão: O uso dos produtos derivados da própolis mostrou-se de grande relevância no auxílio cicatricial de feridas, sendo possível a resolução completa da ferida no pacinte em 30 dias, podendo esta ocorrer em menor tempo conforme sua extensão.


Palavras-chave


propólis; fitoterápico; feridas; felinos

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