OCORRÊNCIA DE PARASITOS PATOGÊNICOS NO SOLO DA ZONA RURAL DE NOSSA SENHORA DA GLÓRIA-SE

Jamisson Bispo de S. Santos, Geyanna Dolores Lopes Nunes

Resumo


Introdução: O município de Nossa Senhora da Glória-SE conta com estimados 36.514 munícipes residentes, sendo que 8.800 endereços estão localizados na zona urbana e 4.755 na zona rural.  Nesta última, apenas 34% desses domicílios contam com saneamento básico. Isto torna a população que reside em áreas pouco urbanizadas ou próximas a ambientes rurais mais expostas a infecção por parasitos. Contudo, há poucos estudos que visam contribuir para elaboração de programas de vigilância e controle das parasitoses gastrointestinais por parte das autoridades sanitárias. Objetivos: Dessa maneira, este trabalho objetivou identificar as áreas (parques, praças e escolas) da zona rural do município de Nossa Senhora da Glória, localizada no sertão sergipano, que apresentassem contaminação por parasitos patogênicos e/ou zoonóticos. Método: foram selecionados 11 povoados de N.S. da Glória através de dois critérios:  i. ter presença de praças, parques, campos poliesportivos ou escolas; ii. ter vias de acesso para ciclomotores ou automóveis. A obtenção das amostras foi realizada no período matutino, com colheres descartáveis, obtendo-se 500g de solo de três pontos distintos de cada local, evitando coleta de solo em um raio de um metro de distância de matérias fecais. As amostras foram acondicionadas em sacos plásticos, identificadas, mantidas sob refrigeração a 4°C e analisadas em, no máximo, 6hs. Foram utilizadas a técnica de Rugai para recuperação de larvas de helmintos e a técnica de Centrifugo-flutuação em sulfato de zinco a 33% para recuperação de ovos de helmintos e oocistos de protozoários. A leitura do material foi feita por microscopia ótica (objetiva de 10X e de 40X), com observação de duas lâminas para cada amostra. Resultados: Foram coletadas amostras de 11 povoados da zona rural do município: (1) Aningas, (2) Lagoa Bonita, (3) Angico, (4) São Gonçalo, (5) Periquito, (6) Carneiro, (7) Trevo, (8) Mocambo, (9) Nova Esperança, (10) Vila do Padre e (11) Tanque de Pedra. Nestes locais foram observados fatores que poderiam colaborar para a ocorrência e disseminação de parasitos: ausência de saneamento básico, presença de animais errantes em vias públicas (cães e gatos) e coleta de lixo deficiente ou ausente. Dentre os 11 povoados analisados, em quatro (locais nº 1, 2, 6 e 10) detectou-se pelo menos uma espécie de parasito com potencial patogênico e/ou zoonótico, determinando uma frequência de 36,4% de locais contaminados. No total, foram encontrados 25 parasitos, dos quais 60% consistiam em cistos de Entamoeba spp., 32% ovos da família Ascaridae, 4% de larvas de Strongyloides spp. do tipo filarióide e 4% de larvas da família Ancylostomidae do tipo rabditóide. Discussão: Quando é detectado pelo menos um ovo ou larva de parasito em um teste laboratorial qualitativo de uma amostra, já é suficiente para qualificar o solo da área analisada como contaminado. A partir da identificação de parasitos patogênicos no meio ambiente, será possível estimular o desenvolvimento de programas e ações educacionais para controle e prevenção de determinadas doenças parasitárias. As infecções por Entamoeba spp., Strongyloides spp. e ascarídeos podem causar diarreia, dores abdominais, febre, fezes com muco e sangue. As larvas de Ancilostomídeos podem ocasionar a larva migrans cutânea. Conclusão: A partir das análises das amostras de solo, foi identificada a contaminação por parasitos patogênicos em 36,4% das praças e parques de povoados localizados na zona rural de Nossa Senhora da Gloria/SE. Medidas básicas de higiene preventivas devem ser estimuladas para reduzir os riscos de transmissão de parasitoses.

Palavras-chave: Helmintos. Protozoários. Contaminação. Areia. Áreas de lazer.


Palavras-chave


Helmintos. Protozoários. Contaminação. Areia. Áreas de lazer.

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