ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DO TUMOR VENÉREO TRANSMISSÍVEL EM CÃES ATENDIDOS NO AMBULATÓRIO CLÍNICO, CAMPUS SERTÃO, NOSSA SENHORA DA GLÓRIA, SERGIPE

Aécio Silva Júnior, Anita Souza Silva, Joserlândia dos Santos, Renata Rocha da Silva, Débora PASSOS HINOJOSA SCHAFFER, Geyanna Nunes Dolores Lopes Nunes, roseane Nunes de santana Campos

Resumo


Introdução: O tumor venéreo transmissível (TVT), cuja forma mais comum da neoplasia é a encontrada nos órgãos genitais, é um dos tumores mais frequentes na espécie canina, acometendo principalmente animais jovens, errantes e sexualmente ativos. A transmissão ocorre por contato direto de um cão sadio com outro doente pelo coito, lambedura, farejo, mordedura, arranhões, e no mesmo animal por transferência para outras mucosas. O TVT ocorre com maior incidência em municípios subdesenvolvidos, no qual existe grande população de cães errantes, com políticas de controle de natalidade e posse responsável pouco eficientes. Através da análise dos dados dos casos de TVT atendidos no ambulatório clínico do Campus do Sertão, da Universidade Federal de Sergipe, na cidade de Nossa Senhora da Glória foi possível elucidar a epidemiologia desta doença no município. Objetivos: Avaliar os aspectos epidemiológicos dos casos de TVT em cães no município de Nossa Senhora da glória, Sergipe atendidos no ambulatório do Campus Sertão. Metodologia: Foi realizado um estudo retrospectivo de casos de TVT (06/2018 e 05/2019) nos atendimentos do ambulatório, observando os aspectos em relação ao sexo dos animais, raça, faixa etária, atividade sexual, localização da neoplasia e tipo de habitação. O diagnóstico da enfermidade foi realizado com base no histórico, avaliação clínica e exame citológico realizado por imprint. Resultados: Dos 126 atendimentos realizados neste período de 11 meses, oito foram de casos confirmados de TVT (6,3%) e destes, 75% eram em cães sem raça definida (SRD) e 75% eram fêmeas. A faixa etária variou entre 4 e 15 anos e todos os cães eram sexualmente ativos, ou seja, não eram animais orquiectomizados ou ovariohisterectomizados. Observou-se que a principal localização da neoplasia foi na vulva (50% dos casos) e eram animais semidomiciliados. Dentre os 8 cães diagnosticados, todos (100%) tiveram sucesso no tratamento, sem recidivas, com aplicações semanais de sulfato de vincristina (0,75 mg/m2, via intravenosa), totalizando 5 aplicações. Discussão: O alto índice de casos de TVT nesse curto período de 11 meses demanda uma grande preocupação quanto ao controle de animais errantes ou semidomiciliados, bem como inspira cuidados e esclarecimentos quanto a disseminação desta patologia entre a população de cães da região. A grande quantidade de animais errantes, sexualmente ativos, além da falta de um programa de controle de natalidade de cães no município são considerados os principais fatores para esse resultado. O maior número de fêmeas observado no presente estudo pode ser explicado pela receptividade da fêmea a vários machos durante seu período de cio. A maior incidência de lesões na genitália externa é explicada pelo fato deste tumor ser transmitido, principalmente durante o coito. Conclusão: O índice de TVT na população canina do município de Nossa Senhora da Glória, Sergipe é alto e afeta principalmente fêmeas e animais semidomiciliados. Estes dados epidemiológicos são importantes para subsidiar e incentivar o estabelecimento de programas de controle de natalidade e educar a população sobre guarda responsável de animais.

Palavras-chave


Palavras-chave: cães, neoplasia, tumor de Sticker, epidemiologia.

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