PERFIL ETIOPATOGÊNICO DE EQUÍDEOS RESGATADOS SOB MAUS TRATOS EM COMUNIDADES VULNERÁVEIS PELO PROJETO PRO-CARROCEIROS -UFAL EM 2018-2019

Yana Morais Gabriella

Resumo


Introdução. Os maus tratos em animais integram a realidade de comunidades vulneráveis, principalmente dos que trabalham com equídeos de tração urbana, envolvendo vários fatores, entre eles: ignorância (falta de conhecimento), violência, vícios e escassez de proventos para subsistência animal. Assim, as práticas de manejos inadequados e ameaças ao bem estar são constantes, resultando em grandes impactos na saúde animal. Objetivo. Objetiva-se quantificar os resgates à equídeos sob maus tratos efetuados pelo o Grupo de Pesquisa e Extensão em Equídeos da Universidade Federal de Alagoas (GRUPEQUI-UFAL) nos anos de 2018 e 2019, além de identificar os principais grupos etiopatogênicos que levaram os animais a serem retirados do cotidiano laboral. Metodologia. Foram quantificados os animais resgatados de seus habitats de origem sob constatação de maus tratos e encaminhados ao Ambulatório do GRUPEQUI-UFAL, no período 01 de Junho de 2018 a 30 de Junho de 2019 . Todos equídeos foram submetidos à coleta de dados através de anamnese, obtida pelas ONG´s parceiras (quando possível), bem como realizados exames diagnósticos de Anemia Infecciosa Equina e Mormo, além de exame clínico completo e outros complementares ( hematologia, radiologia e ultrassonografia) para diagnóstico definitivo. A partir daí, os animais foram submetidos às condutas terapêuticas. Esse trabalho descritivo também buscou dividir as animais por grupos etiopatogênicos, buscando mapear principais causas de maus tratos. Resultados. Foram resgatados no período 28 animais,  sendo 22 equinos ( 13 M e 9 F), 2 asininos ( 1 m e 1 F) e 4 muares ( 2 M e 2 F), exteriorizando maior percentagem de equinos ( 78,5% %) e machos ( 59,09 %). Dessses, 25 animais eram de Maceió..., sendo a capital como principal local de animais sob maus tratos. Dentre os grupos etiopatogenicos:

 10,71% de Afecções do Aparelho Locomotor , sendo 2 em membro pélvico,  1 em membros torácicos e 1 de lesões de coluna;  17,85% de Afecções Dermatológicas (por perfuros cortantes); 14,28% de Afecções oto-oftalmológicas.  Desses animais , 50% vieram a óbito, sendo desses 21,42% por Cólica, 21,24% por Afecções no Aparelho Locomotor e 7,14% por Tétano. Discussão. Os resgates que foram realizados nesse período contribuem para a melhor compreensão das patologias que mais levam os animais aos maus tratos, sendo que a maior causa são as afecções Dermatológicas  17,85       % dos casos. A mortalidade de equídeos resgatados é alta , sendo que  notou-se que os problemas gastrointestinais (Cólica) levaram mais animais a óbito, seguidas de Afecções irreversíveis no Aparelho Locomotor e Tétano. Ainda é bom salientar que existem mais equinos em atividade nas ruas, sendo que 89,28 % dos animais resgatados foram de Maceió, mesmo a universidade sendo em Viçosa, o que mostra predominância dos maus tratos em grandes centros urbanos. Conclusão. Concluímos então com essas observações a importância da qualidade alimentar e do manejo correto, favorecendo uma melhor qualidade de vida para os equídeos em geral, sejam eles de tração, passeio ou esportistas. Desta forma priorizar o bem estar animal é de extrema importância para os mesmos assim como para evitar problemas que venham afetar a sociedade como é o caso de zoonoses.

Palavras-chave: Alagoas. Bem Estar Animal. Carroceiros. Doenças.


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