CALIFORNIA MASTITIS TEST E SEU USO COMO TESTE DE TRIAGEM DE MASTITE SUBCLÍNICA EM CAPRINOS

Rogéria Pereira Souza, Nathália Maria de Andrade Magalhães, Paula Regina Barros Lima, Yndyra Nayan Teixeira Carvalho Castelo Branco, Luis Fernando Amaral Rezende, Kalina Maria de Medeiros Gomes Simplício

Resumo


Introdução: Estudos demonstram que a mastite subclínica é a predominante em rebanhos de pequenos ruminantes, com prevalência estimada de 5-30%, podendo ser ainda maior, e gerando grandes prejuízos econômicos. Objetivo: Avaliar o índice de mastite clínica e subclínica, além das condições de manejo em capril situado em Porto da Folha, Sergipe. Metodologia: Foram avaliadas 22 cabras (Sannen e Parda Alpina), que se encontravam em 30–45 dias de lactação, sob ordenha do tipo manual e com ausência da realização de pré e pós dipping. As instalações eram de chão “batido” e cobertura de telha simples, como sistema de criação semi-intensivo e as fêmeas suplementadas com ração balanceada, fornecida no momento da ordenha (2x/dia). O proprietário se queixava de queda progressiva na produção de leite, impossibilitando a fabricação de queijos, em função da baixa quantidade de leite ordenhada atualmente. Foi então feito o acompanhamento da ordenha, com realização do teste da caneca de fundo escuro em todas as 44 metades mamárias, para diagnóstico de mastite clínica, e logo em seguida o California Mastitis Test (CMT), para determinação da mastite subclínica. O resultado deste foi interpretado pela avaliação do grau de gelatinização da mistura de partes iguais de leite e detergente, sendo 1+ (fracamente positivo), 2+ e 3+ (fortemente positivo). Resultados: Foi evidenciado alto índice de mastite no rebanho, estando 27% (6/22) com mastite clínica, 68% (15/22) com mastite subclínica e apenas 1 fêmea, recentemente adquirida, não apresentou a patologia. Discussão: A elevada ocorrência de mastite é esperada neste caso, em função da ausência de manejo higiênico-sanitário adequado. Sabe-se que a espécie caprina possui forte componente apócrino em sua glândula mamária, fazendo com que durante a produção e secreção láctea, sejam liberados alguns corpúsculos citoplasmáticos, promovendo aumento significativo na contagem de células somáticas, sem necessariamente significar que se trata de mastite. Entretanto, no presente estudo a quantidade de resultados fortemente positivos no CMT, com ambas metades mamárias acometidas, levou à suspeita de que realmente trata-se de mastite subclínica. A realização do pré e pós dipping é fundamental, porém não realizada na propriedade. Ressalte-se também a possível contaminação pelas mãos do ordenhador que, além de realizar todo o procedimento sozinho, alinhando fêmeas para a ordenha, contendo e alimentando-as, em nenhum momento realizava a higienização das mãos. Ainda, não era estabelecida nenhum tipo de linha de ordenha. Portanto, os resultados fortemente positivos no CMT associados à ausência de boas práticas de ordenha e limpeza do ambiente, revalida a suspeita de mastite subclínica nestas fêmeas caprinas. Conclusão: Apesar de amplamente conhecidas no meio científico, as boas práticas de ordenha ainda necessitam de ampla divulgação para o pequeno produtor. Ademais, embora o uso do CMT, enquanto teste diagnóstico da mastite subclínica, seja questionável na espécie caprina, acredita-se que quando há associação de elevada taxa de resultados fortemente positivos em situação de baixa ou nenhuma implantação de boas práticas de ordenha e manejo higiênico-sanitário no rebanho, ele é sim um método de triagem confiável.


Palavras-chave


Boas práticas de ordenha. Cabras. Mastite inaparente

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