REPRESENTATIVIDADE DA MEDICINA PREVENTIVA EM EQUÍDEOS ATENDIDOS NO VALE DO REGINALDO, MACEIÓ-AL

Izabelly Gonçalves

Resumo


Introdução: Os equídeos de tração carroceiros ainda apresentam papel imprescindível na subsistência e sobrevivência de milhares de famílias, principalmente no Nordeste brasileiro. Sem qualquer orientação financeira, educativa, de saúde coletiva ou animal, os carroceiros são vistos como inimigos da sociedade e praticantes de maus-tratos. Os projetos de extensão universitários podem ajudar no incremento do bem-estar aos animais e qualidade de vida dessas comunidades. Objetivos: Objetivou-se apurar a casuística de atendimento das ações promovidas pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Equídeos (GRUPEQUI-UFAL) por meio do Projeto Pró-carroceiros, após seis meses de implantação e conscientização de condutores no Vale do Reginaldo em Maceió, comunidade de baixo IDH e com alta prevalência de animais de tração. Método: O levantamento da casuística foi realizado através do estudo de fichas dos casos atendidos durante os 6 meses, de Setembro de 2018 a Março de 2019. Deste período foram obtidas 89 fichas, obtendo-se informações como a espécie, raça, sexo, idade e atividade clínica realizada. Todas as informações encontradas foram tabeladas no Microsoft Office Excel® para melhor interpretação dos dados. Resultados: Dos 89 animais atendidos 50 (56,18%) eram fêmeas enquanto 39 (43,82%) machos; quanto a espécie, 83 (93,26%) eram equinos, 3 (3,37%) muares e 3 (3,37%) asininos. Com relação a raça da espécie equina: 79 (95,18%) eram Sem Raça Definida (SRD), 2 (2,41%) eram da raça Campolina, 1 (1,20%) Quarto de Milha e 1 (1,20%) Mangalarga Marchador. Os muares e asininos eram todos SRD. Quanto a idade dos animais atendidos 32 (35,96%) eram animais jovens de até 5 anos, 37 (41,57%) eram animais adultos dentre 6 a 12 anos e 17 (15,73%) eram animais de idade avançada com mais de 12 anos de idade. Além do exame clínico realizado nos 89 animais, a medicina preventiva através da desverminação e vacinação (raiva, encefalomielite, tétano, influenza e rinopneumonite) foi realizada em 59 (62,77%) pacientes, seguida dos atendimentos de claudicação em 13 (18,83%) equídeos, ferimentos e lesões cutâneas em 9 (9,57%) e exame obstétrico de prenhez (6,38%). Discussão: Diante dos resultados obtidos observa-se uma grande predominância de pacientes SRD (cerca de 96%) e casos de animais que chegam sem nunca terem sido vacinados ou desverminados, ou mesmo com o protocolo desatualizado e claudicando. Após 6 meses de conscientização do projeto na comunidade, nota-se a medicina preventiva prevalecendo nas consultas, mostrando mudança de paradigma local, já fazendo com que os condutores vacinem e cuidem da desverminação de seus animais. Isso representa a notoriedade da ação de educação continuada aos condutores e promoção de saúde pública. As enfermindades do sistema locomotor ainda são frequentes, afetando diretamente o bem-estar destes animais, principalmente por falta de cuidados com ferrageamento. Nota-se que com as ações os problemas respiratórios não foram mais observados, bem como diminuição representativa das lesões cutâneas, que eram presentes em quase todos animais no início do projeto. Conclusões: Tais dados demonstram a importância da conscientização de condutores e promoção de medicina preventiva pelo projeto Pró-Carroceiros UFAL aos equídeos do Vale do Reginaldo. Indiretamente tais ações impactam na saúde da população, prevenção de doenças zoonóticas e maximização de atividades práticas com cidadania aos graduandos, possibilitando maior dinâmica na compreensão e avaliação dos casos, bem como a realidade da profissão fora dos muros da academia. 

Palavras-chave


Pro-Carroceiros, Claudicação, Extensão Universitária, Educação.

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