IDENTIFICAÇÃO DE PARASITOS GASTROINTESTINAIS E ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS EM EQUINOS DO ESTADO DE SERGIPE

jamisson Bispo de Sousa Santos, Geyanna Dolores Lopes Nunes, Joserlândia Santos dos Santos

Resumo


Introdução: O Brasil possui aproximadamente 5,8 milhões de equinos, que gera através da indústria do cavalo aproximadamente 16,15 bilhões de reais ao ano e 610 mil empregos diretos e indiretos, em uma série de atividades como pastoreio, esportes equestres, biotecnologias, lazer e equoterapia. Mas, apesar de todos os dispositivos de planejamento e controle, o setor pode sofrer perdas econômicas devido as parasitoses intestinais, que causam ao hospedeiro queda de rendimento esportivo, distúrbios digestivos e perdas de índices zootécnicos. Objetivos: identificar os principais parasitos gastrointestinais e os aspectos epidemiológicos de equinos criados no estado de Sergipe, Brasil. Método: A pesquisa foi realizada, por conveniência, em 5 municípios do estado de Sergipe: Nossa Senhora da Glória (mesorregião do Sertão), São Miguel do Aleixo e Lagarto (mesorregião do Agreste), Carmópolis  e Umbaúba (mesorregião do Leste). Foram utilizados 42 equinos, dos quais foram anotadas informações em uma ficha descritiva: identificação do animal, localização, sexo, idade, raça, alimentação e condições de manejo. As amostras fecais foram coletadas diretamente da ampola retal e armazenadas em solução de formaldeído a 5%, para depois serem analisadas pela técnica de Gordon e Whitlock modificada, expressando o resultado em ovos por grama de fezes (OPG). Resultados: Dentre os 42 animais analisados, 25 (59,52%) foram positivos para algum tipo de parasito gastrointestinal, com o OPG médio de 483,04, valor mínimo de 50 ovos e máximo de 4200 ovos por grama de fezes, sendo a mediana de 200 OPG. Havia 10 animais usados para esporte, 29 usados para fins reprodutivos e 3 com finalidade de lazer. Os equinos eram das raças: Quarto de milha e Manga-larga machador. Dois animais nunca haviam sido vermifugados e somente 3 haviam realizado parasitológico de fezes antes. Entre os 21 animais criados de forma extensiva, com acesso a pastagem, 12 (57,14%) apresentaram presença de ovos/oocistos de parasitos. Todos os 12 (57,14%) foram positivos para estrongilídeos (família Strongylidae) e alguns apresentaram co-infecção: 3 (14,3%) também apresentavam ovos de Strongyloides spp., em 3 (14,3%) foram detectados oocistos de Eimeria spp. e em 1 (4,76%) havia também Oxyuris equi. Dentre os 21 animais criados de forma intensiva, em baias, 13 animais (61,90%) foram positivos para parasitos intestinais. Todos (61,40%) apresentaram ovos de estrongilídeos, sendo que 2 (9,52%) também foram positivos para Strongyloides spp. Discussão: Os resultados demonstraram alta frequência de parasitos intestinais, de forma similar tanto em animais criados a pasto quanto em baias, predominando a ocorrência de estrongilídeos (família Strongylidae), que são nematódeos do intestino grosso de equinos, com ciclo biológico monóxeno, hematófagos ou não. Podem causar queda de rendimento visto que os parasitos competem pelo alimento e, dependendo da espécie podem gerar irritações, diarreia, hemorragias intestinais, úlceras e até quadros de cólicas. O protozoário Eimeria spp. também tem ciclo monóxeno e parasita o intestino grosso, podendo ocasionar diarreia, principalmente em potros e em casos de infecções maciças. Em casos de oxiurose geralmente ocorre perda de rendimento devido ao grande incômodo causado pelo prurido anal; em potros com alta carga parasitária, podem causar enterite, obstrução intestinal e cólica. Conclusão: houve elevada frequência de cavalos com parasitos intestinais, independente da raça ou forma de criação. A falta de assistência técnica sobre manejo nutricional e sanitário é uma das causas de falha no controle dos endoparasitas nos equinos criados em Sergipe. Sugere-se ações educativas sobre manejo sanitário preventivo junto aos proprietários e tratadores de equinos.


Palavras-chave


Cavalo. Diagnóstico. Endoparasitos. OPG.

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