CATARATA EM Chelonoidis carbonaria (REPTILIA: TESTUNIDAE) SECUNDÁRIO A HIPOVITAMINOSE

Matheus Resende OLIVEIRA, Anne Beatriz Lima OLIVEIRA, Nayla da Silva ARAGÃO, Victor Fernando Santana LIMA

Resumo


 

Introdução:  A hipovitaminose é uma das principais afecções relatadas na clínica médica reptiliana, sendo comumente associada a má nutrição. A deficiência destas substâncias e outros componentes essenciais, podem desencadear alterações oftálmicas, uma vez que, estão intimamente relacionados a integridade do ciclo visual, a exemplo da catarata, caracterizada pela lesão ocular que atinge e torna opaco o cristalino, comprometendo a visão dos seus portadores. No Brasil, são escassos ou inexistentes os registros de catarata em jabuti-piranga (Chelonoidis carbonaria) com hipovitaminose.  Objetivo: relatar um caso de catarata secundário a hipovitaminose em C. carbonaria. Relato de caso: Foi atendido no ambulatório da Universidade Federal de Sergipe – campus do sertão, um jabuti-piranga (C. carbonaria), fêmea, de 3 anos de idade, pesando 851g, para um checkup. Segundo relatos do proprietário o jabuti convivia com gatos, galinhas e outros exemplares da mesma espécie, alimentava-se de frutas e alface, possuía água a vontade e era criado em uma área de terra no fundo da residência. Ao exame físico foi observado piramidismo em carapaça, escamas brancas e ressecadas na cabeça, perca de massa muscular, além de alteração na coloração dos olhos. O animal foi então submetido ao exame clínico oftalmológico completo, através de métodos semiológicos para a avaliação do sistema visual, no qual foi possível constatar blefaroedema bilateral, secreção ocular, uveíte e opacidade mútua no cristalino do olho esquerdo (unilateral), além de baixa acuidade visual. Resultados: todos os achados clínicos atrelado ao histórico do réptil levaram ao diagnóstico de catarata ocular secundária a hipovitaminose/deficiência nutricional, decorrente de erros no manejo. Como tratamento foi prescrito o uso de colírios oftálmicos TOBRAMAX® Colírio Antibiótico e Anti-inflamatório (aplicando-se uma gota em ambos os olhos/ a cada 12h, por 21 dias), além de um suplemento vitamínico GLICOPAN PET® (0,1mL/VO/uma vez ao dia, por 30 dias) e melhorias no manejo alimentar, com a adição de proteína de origem animal (10 gramas de ração para felinos, uma vez ao dia). Ao 30º dia pós-tratamento o animal já apresentava melhora clínica. Discussão: Cubas et al., (2014) relata que a deficiência de vitamina A em quelônios está relacionada a dietas não suplementadas e pobremente formuladas, dentre os sinais clínicos mais comuns incluem o crescimento tardio e anorexia, além, afecções oculares como edemas inflamações e infecções, bem como, a ocorrência de metaplasia escamosa e hiperqueratose em tecidos epiteliais, sobretudo, no sistema respiratório e ocular. A catarata é a doença pouco descrita em répteis, podendo causa cegueira, sendo sua única opção de tratamento a remoção cirúrgica, a qual não está indicada para todos os animais (LOPES et al., 2016). Por isso, destacamos a importância da alimentação com vegetais folhosos de cor escura como rúcula e espinafre na prevenção dessa enfermidade (REIS, 2016). Conclusão: A catarata ocular pode ocorrer em testudíneos desnutridos submetidos a erros no manejo alimentar diário. Sendo de suma importância para a prevenção de hipovitaminoses e outras enfermidades, a adoção de boas práticas de manejo sanitário e alimentar. Palavras-chave: Deficiência nutricional. Medicina reptiliana. Visão.


Palavras-chave


Deficiência nutricional; Medicina reptiliana; Visão.

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