INFESTAÇÃO POR Rhipicephalus (Boophilus) microplus em HIPOPÓTAMOS-DO-NILO (Hippopotamus amphibius LINNAEUS, 1758)- RELATO DE CASO

Rafael Dantas dos SANTOS, Nayla da Silva ARAGÃO, Linda Helena Jordão OLIVEIRA, Manuel Benício OLIVEIRA NETO, Victor Fernando Santana LIMA

Resumo


Introdução: O Hippotamus amphibius, conhecido como hipopótamo­do­Nilo, é um mamífero artiodátilo não ruminante da família Hippopotamidae, encontrado comumente na África subsaariana, inserido em um grupo denominado megamamíferos. São herbívoros, alimentando-se de forragens, frutas, verduras, leguminosas e tubérculos. Estes animais são encontrados em alguns zoológicos do Brasil, entretanto, quando mantidos em cativeiro é possível constatar alguns transtornos médicos de maior relevância nessa espécie, como doenças infecciosas insidiosas, complicações obstetrícias e problemas odontológicos. Objetivo: Relatar a infestação por Rhipicephalus (Boophilus) microplus em hipopótamos-do-nilo (Hippopotamus amphibius) de um zoológico particular do estado de Sergipe. Relato de caso: Foram atendidos pelo grupo de estudos em animais silvestres da UFS, dois Hipopótamos-do-Nilo, sendo uma fêmea e um macho, com 15 anos de idade, pesando cerca de 2,5 toneladas/cada, os quais eram mantidos em um zoológico particular no estado de Sergipe. Segundo relatos do responsável técnico, após um episódio de queimada na propriedade no período de estiagem, observou-se a presença de ectoparasitos em vários animais do plantel do Zoológico. O mesmo relatou que os animais eram alimentados duas vezes ao dia com uma mistura de frutas, verduras, tubérculos e gramíneas, não possuiam contactantes, e viviam em um recinto de 200 m2, o qual possuía áreas de terra, grama e um lago. Após anamnese, foi realizado a contenção física dos animais no cambiamento, para posterior exame dermatológico, sendo realizado inspecção visual, no qual foram evidenciados a presença de ectoparasitos nos dois hipopótamos, os quais foram coletados de cada animal com auxílio de pinça, para posterior acondicionamento em tubos coletores contendo álcool 70%, e em seguida encaminhados para analise morfológica. Resultados: Três ectoparasitos foram avaliados morfologicamente, os quais foram classificados como carrapatos ixodídios da espécie Rhipicephalus (Boophilus) microplus. Para tratamento prévio dos ectoparasitos foram realizadas aplicações tópicas de FRONTLINE SPRAY®, uma vez ao dia, no total de três aplicações com intervalo de 15 dias, além do controle ambiental dos ixodídios, mediante dedetização. Após 30 dias de tratamento, os animais foram reavaliados, sendo observado a ausência de ectoparasitos. Discussão: Os problemas de manejo e contenção vão desde a dificuldade em ofertar um alojamento adequado até o desafio da contenção química. A ausência de padrões posológicos estudados para esta espécie torna desafiador a determinação de doses de fármacos, sejam antibióticos, sedativos, anestésicos ou anti-inflamatórios, já que existem muitas citações sobre a grande incidência de problemas e mortes relacionadas a contenção farmacológica.  Segundo Cubas et al (2006), considera-se fundamental evidenciar o método de extrapolação alométrica interespecífica de modo indispensável para a elaboração de protocolos posológicos eficazes. Conclusão: Conclui-se que, hipopótamos que vivem em cativeiros estão suscetíveis ao parasitismo por carrapatos ixodídios, sendo de suma importância a adoção de práticas de manejo preventivo, para assegurar a saúde desses animais.

Palavras-chave: Ectoparasitas. Ixodídios. Contenção farmacológica. Megavertebrados.


Palavras-chave


Ectoparasitas; Ixodídios; Contenção farmacológica; Megavertebrados.

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