Memória coletiva, cogestão de recursos comuns e turismo no Amazonas

Mayra Laborda Santos, Marina Hastenreiter Silva, Bruna Ranção Conti

Resumo


Este estudo busca refletir sobre o acionamento de memórias coletivas e sua contribuição na formação de arranjos institucionais para gestão de recursos comuns e implantação do turismo nas regiões do Baixo e Médio Amazonas. Ressalta-se que as indagações aqui expostas surgiram a partir de uma pesquisa-ação, com o uso da observação participante, entrevistas semiestruturadas, conversas informais e notas de campo. Os lócus de pesquisa possuem um longo histórico relacionado às práticas artesanais, comerciais e esportivas de pesca. No entanto, esses locais têm sido alvo de uma exploração intensa e predatória que, somados a outras questões de degradação ambiental, como a construção do Linhão do Tucuruí e da Usina Hidrelétrica de Balbina, vêm destruindo e causando mudanças significativas na fauna aquática (AMAZONAS, no prelo). Diante desse contexto, os ribeirinhos moradores das comunidades pelas quais os cursos dos rios perpassam estabeleceram grupos voltados para a proteção dos recursos naturais de uso comum (OSTROM, 2002) propondo um monitoramento ambiental, em sistema de rodízio, com vistas ao fechamento das entradas dos rios. A ideia central dessas iniciativas se dá pelo reavivamento de uma memória coletiva (HALBWACHS, 1990) que culmina em “lugares de memória” (NORA, 1993) sobre um tempo em que, com facilidade, se viam “bichos de casco” e se pescavam “tucunarés macetas”. Nesse cenário, o turismo de pesca também é visto como ameaça à conservação da ictiofauna, levando as comunidades a buscarem alternativas de turismo, como o turismo de base comunitária na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã - RDSU, e o turismo cultural na Área de Proteção Ambiental de Nhamundá - APAN.

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Revista Iberoamericana de Turismo - RITUR Penedo, Alagoas, Brasil. ISSN: 2236-6040.


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