Da casa ao hotel: entre a hospitalidade e a economia do turismo

Autores

  • Felipe José Comunello Doutor em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Palavras-chave:

hospitalidade, sazonalidade, "pousadeiras".

Resumo

O município de São Joaquim, na região serrana de Santa Catarina, tem sido destacado pela imprensa escrita e televisiva nacional como a cidade mais fria do Brasil, ao longo dos últimos vinte anos. Em pesquisa realizada para tese de doutorado, identifiquei que muitas proprietárias de pousadas, as “pousadeiras” como elas mesmas se chamam, começaram abrigando turistas em dificuldades em dias de frio intenso, quando não há hotéis e pousadas suficientes na cidade. A partir disso, elas acreditaram ser possível transformar suas casas em pousadas, tendo diante de si um problema também compartilhado com os profissionais do turismo, a chamada sazonalidade dos turistas. Tal fato provoca dúvidas sobre a sustentação econômica das pousadas e inquietação aos profissionais quanto ao sucesso econômico do turismo. Nesse artigo, isso é analisado tendo como referência uma proposta de parceria recebida por meus interlocutores por parte da operadora de turismo CVC e da empresa de eventos da RBS, afiliada da Rede Globo em Santa Catarina. A discussão é em torno de questões a partir de uma antropologia da hospitalidade. A análise sugere que essa parceria ameaça uma ordem moral estabelecida com base em determinados valores de hospitalidade para com estranhos, principalmente o aquecimento perante o frio.

Biografia do Autor

Felipe José Comunello, Doutor em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Bolsista de Pós-doutorado FAPERGS/CAPES no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)

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Publicado

31/01/2015