Headshot: jogos digitais, violência e ensino da Arte

Ana Beatriz Bahia

Resumo


O artigo aborda a pertinência e possibilidades de se trabalhar jogos digitais violentos no âmbito do ensino da arte. Primeiramente, retoma relato de prática docente (TONIN, 2018), quando jogos de estética e jogabilidade diferenciais foram utilizados em prática de ensino de arte, fazendo eclodir a demanda dos alunos por vivenciar tal proposta com jogos FPS (first-person shooter) e da série Grand Theft Auto (GTA). Em seguida, discute porque e em que sentido é relevante acolher tal demanda, tendo em vista o modo como os jogos digitais são mencionados na BNCC. Então, discute como acolher tal demanda no âmbito no ensino de arte, considerando que tais títulos têm Classificação Indicativa para maiores de idade. Servindo-se de contribuições teórico-metodológicas da Cultura Visual (MARTINS, 2012; AGUIRRE, 2009; HERNANDEZ, 2005), propõe trabalhar a partir das imagens que emergem da experiência com tais jogos – e não jogando o jogo necessariamente –, mas tendo em vista características próprias da experiência estética imersiva, em espaços de simulação (MANOVICH, 2006; FRASCA, 2004). Para subsidiar tal prática, o artigo traz uma seleção de artefatos visuais que abordam a violência por diferentes meios, estéticas e poéticas, destacando art mods (modificações artísticas) de jogos FPS.  O artigo estabelece relações entre os modos de ver, de ocultar e de significar a violência, tanto em Arte (SELKGMANN-SILVA, 2003) quanto em jogos digitais (ALVES, 2004; PHILLIPS, 2018; GALLOWAY, 2006), esboçando caminhos para se mediar o olhar crítico-poético sobre as imagens da violência que permeiam a sociedade contemporânea.  


Palavras-chave


ensino da arte ; jogos digitais ; violência ; Cultura Visual

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Referências


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