Educação Profissional e Tecnológica: a Teoria da Atividade como possível caminho metodológico

Márcia Valéria Paixão, Leandro Rafael Pinto

Resumo


O caráter histórico e mutável do trabalho situa a aprendizagem como aquela que possibilite ao aluno a capacidade de interpretar o mundo de formas cada vez mais complexas e de responder a essas interpretações. Isso exige da escola o estudo das práticas por meio das quais os objetos de trabalho são construídos, para apreender os mecanismos envolvidos, refletir sobre as consequências associadas e o sentido dessas práticas. Yrjö Engeström vai chamar esse momento de aprendizagem de contextos de co-configuração, um contexto onde o aprender torna-se o saber-na-prática e dependente da participação de alunos e professores em práticas. A Teoria da Atividade de Engeström fornece uma estrutura para análise e desenho de processos de aprendizagem em ambientes de co-configuração ao que chamou de Teoria da Aprendizagem Expansiva (TAE), ou seja, uma forma de provocar transformações expansivas em sistemas de atividade. Assim, por meio da metodologia de pesquisa bibliográfica sistemática, este artigo buscou responder à seguinte questão: a TAE é uma possibilidade para que alunos aprendam as novas formas de trabalho nascidas da velocidade das mudanças que o ambiente impetra? Os resultadados iniciais mostram que, em ambientes de co-configuração, a Teoria da Atividade de Engestroom, em especial a da Aprendizagem Expansiva, fornece uma estrutura para o desenho de processos de aprendizagem nesses ambientes que possibilitem a formação de um sistema de atividade que garanta o diálogo, em tempo real, entre sala de aula e mundo do trabalho.

Palavras-chave


Atividade. Trabalho. Expansiva. Co-configuração

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